Teste genético é criado para prever sucesso de fertilização in vitro

SÃO PAULO – Um pesquisador da Faculdade de Medicina Albert Einstein, da Universidade Yeshiva, em Nova York, ajudou a desenvolver o primeiro exame genético de sangue para prever as chances de uma fertilização in vitro (FIV) resultar em uma gravidez bem-sucedida.

O teste, relatado na revista médica online PLoS One, baseia-se na constatação de que diferentes subtipos do gene FMR1 (conhecido como cromossomo X frágil, responsável pelo retardamento mental do feto) em potenciais mães são associados a chances significativamente distintas de conceber um filho por FIV.

“Essa é a primeira evidência de que um gene específico pode estar diretamente relacionado aos resultados da fertilização in vitro”, disse o médico David Barad, um dos autores e professor adjunto de epidemiologia e saúde da população e também de obstetrícia, ginecologia e saúde da mulher na faculdade Einstein. Além disso, Barad é diretor de reprodução assistida do Centro de Reprodução Humana (CHR, na sigla em inglês), em Nova York.

“Nossa pesquisa sugere ainda que o gene FMR1 – conhecido por prever falha ovariana prematura – pode ser usado para prognosticar em que idade a fertilidade da mulher começará a diminuir”, acrescentou.

O estudo também apoia a crença de que a autoimunidade (imunidade de alguém a suas próprias células ou tecidos) desempenha um papel na infertilidade, tema controverso entre os especialistas em medicina reprodutiva.

O trabalho envolveu 339 mulheres com infertilidade submetidas a um total de 455 ciclos de FIV no CHR. Os pesquisadores investigaram a relação entre três diferentes grupos genéticos de FMR1 e os resultados da gravidez e dos níveis de autoimunidade. As mulheres com o genótipo “normal” de FMR1 tinha uma taxa de gravidez de 38,6%; aquelas com “heterozigoto-normal/alto” tiveram um índice de 31,7%; e as com “heterozigoto-normal/baixo” tiveram 22,2% de chance.

O genótipo associado à menor taxa de gravidez (heterozigoto-normal/baixo) também foi ligado a medidas de aumento da autoimunidade. As mulheres com esse genótipo apresentaram uma maior incidência de síndrome de ovários policísticos (causa comum de infertilidade), que pode ter um componente autoimune, segundo especialistas.

“Estudos anteriores sugerem que a autoimunidade desempenha um papel na infertilidade”, afirmou o Dr. Barad. “Agora, pela primeira vez, temos um potencial mecanismo genético que pode servir de base para várias ameaças à fertilidade.”

O custo do exame de sangue para FMR1 deve ser relativamente baixo – comparável aos testes de triagem para a doença de Tay-Sachs e outros problemas genéticos. Embora a análise ainda não esteja clinicamente disponível, “é provável que os resultados levem a aplicações no futuro”, disse o dr. Barad.

“Qualquer exame que possa prever a fertilidade de uma mulher poderá ajudá-la a planejar sua família”, destacou. “Por exemplo, se uma mulher que pretende fazer faculdade de direito ou medicina descobre que tem um certo risco de perder a função ovariana antes dos 35 anos, ela pode deixar seus óvulos em um banco ou tentar ter filhos numa idade mais precoce, em vez de adiar a gestação”, completou o pesquisador.

O Estado de São Paulo (19/01/2011)

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