Endometriose e Infertilidade

A endometriose é uma das doenças de maior evidência no momento. Considerada a doença da mulher moderna, ou seja, mulheres que adiam a maternidade e que dessa maneira acabam tendo um maior número de menstruações (ciclos).

Estima-se que a doença atinja de 10 -15 % das mulheres em idade reprodutiva e que 30-40% das mulheres com dificuldade para engravidar possuem endometriose. No Brasil, mais ou menos 6 milhões de mulheres são portadoras de endometriose, e o diagnóstico pode demorar de 7 – 9 anos para ser feito, portanto, é fundamental prestar atenção aos sintomas e procurar o auxílio médico para que o diagnóstico seja feito em fases iniciais onde o tratamento é mais eficaz.

O QUE É ENDOMETRIOSE?

Endometriose consiste na presença de endométrio em locais fora do útero. O endométrio é a camada que reveste o útero internamente e que se torna espesso a cada mês pelo efeito dos hormônios ovarianos para receber o “possível embrião”, e que ao final de cada ciclo menstrual se renova com a menstruação.

ONDE SE LOCALIZA?

A endometriose de localiza mais comumente na região pélvica .Os locais mais freqüentes são : Fundo de Saco de Douglas (atrás do útero), septo reto-vaginal (tecido entre a vagina e o reto ), trompas, ovários, superfície do reto, ligamentos do útero, bexiga e parede da pelve.Existem casos de localização extra-genital ,porém, são mais raros.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINTOMAS?

A dor é o principal sintoma da paciente com endometriose, que pode ser só no período menstrual e que com o avançar da doença ou dependendo da localização pode ser em qualquer período do mês. Dores para ter relações, alterações no ritmo das evacuações ou distúrbios urinários também são comuns. Muitas mulheres que tem endometriose podem não apresentar nenhum sintoma.

COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO?

Para iniciar o diagnóstico de endometriose, o médico que  atende a paciente deve inicialmente realizar um histórico completo sobre as queixas da paciente como vimos anteriormente, caracterizada por dor pélvica, dor durante a menstruação que piora com o passar do tempo, dor às relações sexuais, distúrbios urinários e intestinais, além da infertilidade. Após o histórico, deve-se realizar o exame ginecológico, onde poderá encontrar locais mais sensíveis ao exame, nódulos, cistos ovarianos, etc. A etapa seguinte será a programação de exames que ajudem no diagnóstico, normalmente exames de imagem como a ressonância magnética e a ultra-sonografia com preparo intestinal.

Finalmente, o diagnóstico de certeza é realizado através da vídeolaparoscopia, que é um procedimento cirúrgico que consiste na introdução de uma câmera na região pélvica, sob anestesia geral e que além de diagnosticar,  já realiza o tratamento que consiste na remoção dos implantes de endometriose, retiradas de cistos, retirada de lesões no intestino, bexiga, liberação de aderências para que se restaure o mais próximo possível a anatomia da pelve feminina.

O material retirado na cirurgia é enviado para exame em laboratório no qual o médico patologista vai confirmar a presença do tecido endometriótico. Nas pacientes com infertilidade as cirurgias devem ter a finalidade da preservação da fertilidade.

O  tratamento da endometriose vai depender de alguns fatores como: sintomas, desejo ou não de engravidar, idade da paciente e os  locais acometidos entre outros.

Pode-se realizar o tratamento clínico, dependendo do caso,  com medicamentos hormonais ou  colocação de endoceptivo uterino  para a supressão da menstruação e analgésicos para o alívio doloroso.

QUAL A CAUSA?

Não existe até o momento uma causa definida para o aparecimento da endometriose.Existem várias teorias para tentar explicar a doença, porém, nenhuma delas é aceita em sua totalidade. A teoria mais antiga  sugere que durante a menstruação as células do endométrio passariam através das tubas uterinas para a cavidade abdominal, onde se implantariam e iniciariam a doença. Outras teorias sugerem alterações do sistema imunológico e mesmo uma herança genética.

GRAUS DA DOENÇA:

Para que houvesse uma uniformidade de informações entre os pesquisadores  e médicos ao se estudar a doença, a Associação Americana de Fertilidade elaborou uma classificação em graus de 1 a 4 para  melhor entendimento sobre a endometriose, sendo 1 mais leve e 4 mais severa.

A Inseminação intra-uterina (IIU) e a Fertilização in vitro (FIV) são indicadas para pacientes com endometriose que tentam engravidar. A indicação de qual tratamento seguir dependerá de cada caso. Ex. Pacientes com endometriose leve, sem obstrução tubária e com dores durante a relação podem realizar a IIU.

Consultor: Dr.Armindo Dias Teixeira – Médico ginecologista especialista em reprodução humana e videolaparoscopia (www.doutorarmindo.com.br)/ Núcleo Genics de Endometriose (EndoGenics) – www.genicsmedicina.com.br

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