Como é realizada a seleção do embrião(ões) para a transferência dele(s) para o útero materno?

Pregnant woman holding stuffed rabbitDurante muitas décadas a escolha dos embriões a serem transferidos para o útero da mãe é a sua apresentação, ou seja, sua forma, que baseada no número e assimetria de células, núcleos e grau de fragmentação. Essas informações deverão ser passadas para o casal após a realização da FIV (fertilização in vitro), para que o casal entenda qual é a qualidade de seus embriões. Nem todos embriões terão a mesma chance de gerar um bebê.

Para entender melhor os parâmetros de classificação embrionária é melhor revisarmos os estágios de desenvolvimento do embrião.

Após a coleta dos oócitos (punção folicular), a ICSI ou FIV clássica serão realizadas nos oócitos classificados como maduros. Assim de 16-18 horas horas após o encontro do espermatozoide  esses oócitos são verificados quanto ao aparecimento de estruturas de fertilização, ou seja, a indicação de que houve a singamia dos gametas feminino e masculino. A partir daí teremos um embrião.

Hoje a média da taxa nacional de fertilização é de 75%, então a cada 10 oócitos injetados, 7-8 pré-embriões serão formados. Lembrando que em casos de fator masculino severo, endometriose e pacientes com Síndrome dos ovários policísticos (SOP) as taxas são um pouco menores, pois a morfologia dos oócitos e dos espermatozoides são modificadas.

A fertilização é a duplicação do DNA masculino e feminino (haploides), que em seguida se unem (diploide) e iniciam a divisão. O desenvolvimento embrionário se inicia através de sucessivas divisões mitóticas, denominadas clivagens, que nada mais é que a divisão e formação das células dentro do embrião.  A primeira divisão deve acontecer de 24-27 horas após a FIV, sendo um bom preditivo de seleção embrionária.  De 45-46 horas teremos a segunda divisão celular (Dia 2) em 4 células ( foto ao lado) e de 54-57 horas teremos a terceira divisão celular (Dia 3) em 8 células. FIG. 6.1

Um fenômeno observado durante o desenvolvimento  do embrião é a possivel formação de fragmentação, ou seja, extrusão de um parte da membrana citoplasmática, parecendo um fenômeno que pode acontecer naturalmente. Existe uma associação com a quantidade e a distribuição dessas fragmentações dentro do embrião (foto abaixo), quanto mais fragmentado o embrião obtiver, maior dificuldade ele terá para realizar a implantação no útero da mãe.

Outro fenômeno observado é a multinucleação nas células dos embriões (blastômeros). Pode ser um indicativo genético de anormalidade do embrião.

FIG. 6.17Após o terceiro dia existe uma compactação das células, através do aparecimento de junções firmes, dando inicio a comunicação de dois tipos celulares diferentes de células, permanecendo assim no dia 4.

Segue então a formação de um espaço dentro do embrião com acumulo de líquido (a blastocele), um espaço com água que separará as duas linhagens de células, uma que dará inicio a formação da placenta e outra que dará início a formação do próprio feto (ICM- massa celular interna).

Assim no dia 5 temos a formação d embrião chamado de blastocisto, que é o maior estágio que o embrião pode chegar in vitro. O embrião pode chegar até o dia 6, com o início da realização de um processo de hatching (foto abaixo), ou seja, a saída do blastocisto da zona de proteção (pelúcida) para a implantação. Este é o dia máximo para a transferência do embrião para o útero da mãe. Os blastocistos também tem uma classificação quanto a morfologia e quantidade das células, o que pode também determinar o potencial embrionário deles. Não são todos os embriões que chegam em estágios de blastocistos. E ainda existe uma preocupação quanto aqueles que param seu desenvolvimento, pois o ambiente uterino poderia compensar alguma falta do embrião.FIG. 5.27

O laboratório sempre analisará cada caso antes da possível transferência dos embriões. Tudo isso dependerá da quantidade, qualidade e capacidade dos embriões verificado pelos embriologistas. Muitos laboratórios estão obtendo ótimos resultados na transferência de embriões em estágios de blastocistos. O controle qualidade do laboratório de Reprodução Humana Assistida é extremamente importante para o desenvolvimento de embriões ao estágio de blastocisto e que deve caminhar junto com as normas descritas, certificações, estufas capacitadas e meios apropriados.

Para casais que já possuem tentativas anteriores podem partir para a transferência embriões de em estágios mais avançados para aumentar a change de gestação.

A tendência mundial está voltada a transferência de embriões em estágios de blastocisto. O que vem mostrando resultados promissores, juntos com as técnicas de biopsia de blastocisto para a exclusão de embriões com anormalidades cromossômicas.PV gruppbild_121228

Outra tendência é uma câmera que filma os embriões em tempo real, determinando o tempo de divisão celular do embrião, predizendo assim o embrião de melhor prognóstico ( foto ao lado Primo Vision Time-lapse).

Fotos embriões: Lucinda Veeck

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