Curiosidades sobre o Cromossomo Y

11 fatos sobre o CromossomoY

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Como é realizada a seleção do embrião(ões) para a transferência dele(s) para o útero materno?

Pregnant woman holding stuffed rabbitDurante muitas décadas a escolha dos embriões a serem transferidos para o útero da mãe é a sua apresentação, ou seja, sua forma, que baseada no número e assimetria de células, núcleos e grau de fragmentação. Essas informações deverão ser passadas para o casal após a realização da FIV (fertilização in vitro), para que o casal entenda qual é a qualidade de seus embriões. Nem todos embriões terão a mesma chance de gerar um bebê.

Para entender melhor os parâmetros de classificação embrionária é melhor revisarmos os estágios de desenvolvimento do embrião.

Após a coleta dos oócitos (punção folicular), a ICSI ou FIV clássica serão realizadas nos oócitos classificados como maduros. Assim de 16-18 horas horas após o encontro do espermatozoide  esses oócitos são verificados quanto ao aparecimento de estruturas de fertilização, ou seja, a indicação de que houve a singamia dos gametas feminino e masculino. A partir daí teremos um embrião.

Hoje a média da taxa nacional de fertilização é de 75%, então a cada 10 oócitos injetados, 7-8 pré-embriões serão formados. Lembrando que em casos de fator masculino severo, endometriose e pacientes com Síndrome dos ovários policísticos (SOP) as taxas são um pouco menores, pois a morfologia dos oócitos e dos espermatozoides são modificadas.

A fertilização é a duplicação do DNA masculino e feminino (haploides), que em seguida se unem (diploide) e iniciam a divisão. O desenvolvimento embrionário se inicia através de sucessivas divisões mitóticas, denominadas clivagens, que nada mais é que a divisão e formação das células dentro do embrião.  A primeira divisão deve acontecer de 24-27 horas após a FIV, sendo um bom preditivo de seleção embrionária.  De 45-46 horas teremos a segunda divisão celular (Dia 2) em 4 células ( foto ao lado) e de 54-57 horas teremos a terceira divisão celular (Dia 3) em 8 células. FIG. 6.1

Um fenômeno observado durante o desenvolvimento  do embrião é a possivel formação de fragmentação, ou seja, extrusão de um parte da membrana citoplasmática, parecendo um fenômeno que pode acontecer naturalmente. Existe uma associação com a quantidade e a distribuição dessas fragmentações dentro do embrião (foto abaixo), quanto mais fragmentado o embrião obtiver, maior dificuldade ele terá para realizar a implantação no útero da mãe.

Outro fenômeno observado é a multinucleação nas células dos embriões (blastômeros). Pode ser um indicativo genético de anormalidade do embrião.

FIG. 6.17Após o terceiro dia existe uma compactação das células, através do aparecimento de junções firmes, dando inicio a comunicação de dois tipos celulares diferentes de células, permanecendo assim no dia 4.

Segue então a formação de um espaço dentro do embrião com acumulo de líquido (a blastocele), um espaço com água que separará as duas linhagens de células, uma que dará inicio a formação da placenta e outra que dará início a formação do próprio feto (ICM- massa celular interna).

Assim no dia 5 temos a formação d embrião chamado de blastocisto, que é o maior estágio que o embrião pode chegar in vitro. O embrião pode chegar até o dia 6, com o início da realização de um processo de hatching (foto abaixo), ou seja, a saída do blastocisto da zona de proteção (pelúcida) para a implantação. Este é o dia máximo para a transferência do embrião para o útero da mãe. Os blastocistos também tem uma classificação quanto a morfologia e quantidade das células, o que pode também determinar o potencial embrionário deles. Não são todos os embriões que chegam em estágios de blastocistos. E ainda existe uma preocupação quanto aqueles que param seu desenvolvimento, pois o ambiente uterino poderia compensar alguma falta do embrião.FIG. 5.27

O laboratório sempre analisará cada caso antes da possível transferência dos embriões. Tudo isso dependerá da quantidade, qualidade e capacidade dos embriões verificado pelos embriologistas. Muitos laboratórios estão obtendo ótimos resultados na transferência de embriões em estágios de blastocistos. O controle qualidade do laboratório de Reprodução Humana Assistida é extremamente importante para o desenvolvimento de embriões ao estágio de blastocisto e que deve caminhar junto com as normas descritas, certificações, estufas capacitadas e meios apropriados.

Para casais que já possuem tentativas anteriores podem partir para a transferência embriões de em estágios mais avançados para aumentar a change de gestação.

A tendência mundial está voltada a transferência de embriões em estágios de blastocisto. O que vem mostrando resultados promissores, juntos com as técnicas de biopsia de blastocisto para a exclusão de embriões com anormalidades cromossômicas.PV gruppbild_121228

Outra tendência é uma câmera que filma os embriões em tempo real, determinando o tempo de divisão celular do embrião, predizendo assim o embrião de melhor prognóstico ( foto ao lado Primo Vision Time-lapse).

Fotos embriões: Lucinda Veeck

Livro para os Pais e Filhos de Reprodução Humana Assistida

O médico especialista em reprodução humana Selmo Geber escreveu o livro Afinal de Contas, que Cegonha é Essa? para ajudar os Pais e os Filhos de Reprodução Humana Assistida.

Sinopse:  Este livro procura auxiliar as mães e esclarecer suas dúvidas sobre como dizer a seus filhos que eles foram gerados em laboratório. Trata de todo o processo de fertilização e mostra em quais situações é preciso pedir ajuda a um médico especialista para a mulher conseguir engravidar. Como o embrião é formado? O que é fertilização in vitro? O que os pais devem fazer? O que acontece na Clínica de Medicina Reprodutiva? E no corpo da mulher? Como o embrião vai parar na barriga da mãe? Estas são algumas das questões que a obra busca esclarecer com texto e ilustrações acessíveis aos leitores infantis.

Autor:  Selmo Geber (Clínica Origen)

Ilustração: Julio Xerfan

Tentando engravidar? Veja algumas dicas antes de procurar Apoio.

Ficar grávida não é fácil como nas novelas, a gente sabe. Claro, algumas mulheres de sorte não têm problemas para engravidar logo que decidem que estão prontas, mas, para a maioria, o processo pode ser lento, e isso pode nos afetar emocionalmente. Mas fique calma! Mesmo casais perfeitamente saudáveis e férteis só têm 25% de chance de conceber durante cada ciclo menstrual – e somente se os parceiros tiverem menos de 35 anos. Ou seja, ficar grávida pode dar algum trabalho.

E desde quando ter filho é fácil em algum momento? Mas ouvir o coraçãozinho do bebê batendo no ultrassom vale todo o esforço. Por isso, separamos algumas dicas para aumentar as suas chances de engravidar.

Em primeiro lugar, é importante saber o básico:

• Só por que o esperma pode sobreviver por até seis dias dentro do útero antes da ovulação não significa que ele irá conseguir. O mais comum é durar de 1 a 3 dias.

• A fertilização é possível até um dia após a ovulação. Um óvulo sobrevive entre 12 e 24 horas após ter sido liberado do ovário. Embora seja mais provável que o óvulo seja fertilizado por um espermatozoide que já está nas trompas, se o esperma entra no útero durante esse período, a fertilização pode ocorrer.

• Claro que você já ouviu falar que quanto mais relações sexuais você tiver, mais chances você tem de conceber, não? Na verdade, isso não é necessário – a sua melhor chance de engravidar é de 1 a 3 dias antes do início da ovulação, por isso tente nessa época, e faça uma pausa depois.

Para quem está tendo problemas para conceber, estar em sintonia com você e o corpo do seu parceiro são aspectos muito importantes. As dicas abaixo podem dar uma mãozinha para aumentar a sua sorte.

• Acostume-se a verificar o seu ciclo. A gente sabe que é meio chato, mas contar os dias do seu ciclo menstrual vai ajudar a descobrir quando você está mais fértil, mas somente se seu ciclo é regular. Se você tem um ciclo de 28 dias, o seu período fértil é entre os dias 12 e 16 (quando você ovular). Embora seja mais provável que você engravide entre os dias 9 e 15, é possível conceber logo no dia 6 ou mais tarde, como no dia 17.

• Observe as mudanças na mucosa. Durante a ovulação, o muco cervical é mais escorregadio, molhado, e claro – similar à clara de ovo crua.

• Mantenha-se com um peso saudável. Se você estiver com sobrepeso ou baixo peso, é realmente importante que você fique saudável. Exercícios físicos e uma alimentação correta podem melhorar a fertilidade – você pode até tentar uma dieta pré-gravidez especial.

• Escolha uma posição sexual que facilite a penetração profunda. Quanto mais próximo o esperma ficar do muco cervical, maior a chance que tem de sobreviver à acidez da vagina.

• O orgasmo durante o sexo. Orgasmos não apenas nos fazem sentir bem, eles ajudam muito na tarefa de engravidar. As secreções alcalinas em seu útero e vagina durante o orgasmo aumentam o auxílio à mobilidade do esperma, e as contrações uterinas ajudam o esperma a se mover em direção às trompas, especialmente se o seu orgasmo acontecer antes ou ao mesmo tempo do que o do seu parceiro.

• Mantenha o pênis na vagina após a ejaculação. Espere até que ele fique macio para otimizar as suas chances de conceber.

• Deite-se pelo menos por meia hora depois da relação. Por mais bobo que possa parecer, a gravidade vai trabalhar, e se você levantar-se, o esperma pode vazar para fora, sem atingir o muco cervical. Eleve os quadris com um travesseiro para garantir.

E lembre-se: Não fique frustrada se levar muito tempo para conceber – é perfeitamente normal. Valerá a pena a espera. E quem nunca ouviu falar que quanto mais difícil uma conquista, mais ficamos felizes quando chegamos lá?

Revista Pais e Filhos 2011

QUAL SUA CHANCE DE GRAVIDEZ?

O sonho de ser mãe cresce muito após o casamento ou o conforto profissional. A partir dessa decisão, o casal começa a se adaptar com a palavra FAMÍLIA e as tentativas começam. É importante a ida ao ginecologista/obstetra para um suporte a saúde do casal e do futuro bebê.

O mínimo de tentativas seria de 01 ano antes da busca por clínicas de reprodução humana assistida. Alguns médicos considerariam até 2 anos. Mas muitas vezes a melhor opção seria não esperar muito, ainda mais após os 35 anos.

A taxa geral de gravidez clínica (presença de saco gestacional e batimento cardíaco) para FIV/ICSI é de 34%. Mas vamos abrir este leque, afinal temos fatores importantes como idade da mulher e causas de infertilidade que podem subir ou abaixar as taxas, por isso que cada casal deve ser individualizado. Os dados abaixo são da RedLatinoAmericana de Reprodução Humana Assitida de 2009 (RedLara).

Imagem acima Revista Pais e Filhos

Idade da Mulher  X Taxa de Gravidez Clínica

 Idade da Mulher X Tipo de Infertilidade : 

F. Tubário (fator tubário- tubas obstruídas/Inflamação pélvica DIP) F. Feminino (Endometriose/SOP…) F. Masculino (Oligozoospermia…) Outros Fatores (Imunológico…) ESCA (Infertilidade Sem Causa Aparente-Idiopática-Não foi encontrado)

As taxas podem variar de acordo com o número de embriões transferidos, então é importante a determinação do número de embriões a serem transferidos e congelados caso haja excedentes. Existe hoje uma normativa no Brasil sobre o número de embriões a serem transferidos para o útero: Mulheres com menos de 35 anos (2 embriões), 35-39 ( 3 embriões) e > 40 anos (4 embriões).

Gestação Múltipla

O medo da transferência de muitos embriões é a implantação de todos ou de pelo menos 2 embriões. Vamos checar as taxas de gravidez múltipla de acordo com a idade da mulher.

Já com o BETA-HCG POSITIVO qual a chance dos embriões transferidos terem implantado.

Como funciona a produção de espermatozóides? Existe armazenamento?

A fertilização é a junção de dois gametas, feminino e masculino. O espermatozóide é o elemento fundamental para que o oócito continue sua divisão e finalmente forme o tão esperado embrião. Toda a produção do espermatozóide tem um nome, a Espermatogênese.

Tudo se inicia na vida intra-uterina, na quarta semana de gravidez, ocorre uma migração de células germinativas do embrião em desenvolvimento na  para a parte que será a futura região das gônodas. Ao se posicionarem lá, as células são chamadas de pré-espermatogônia, realizando muitas mitoses até o sexto mês de vida do bebê.

Na puberdade entre 13 a 16 anos essas divisões reiniciam. Essa etapa é realizada nas gônadas masculinas (testículos), composto por um emaranhado de tubos seminíferos. É neles que toda a produção acontece. Esses túbulos são compostos de células de sustentação, as células de Sertoli, e entre esse túbulos, ou seja no espaço intersticial as células de Leydig.

Agora chamadas de espermatogônias 46 XY, localizam-se na base do epitélio do túbulo seminífero, nas células de Sertoli. É uma cascata.  As espermatogônias, formarão mais espermatogônias (sempre possuindo reservas) por Mitose. Até crescerem e se modificarem em Espermatócitos I, iniciando a Meiose I, passando para Espermatócito II, iniciando a Meiose II e formando a Espermátide redonda.

A Espermátide sofre um processo de Espermiação, processo pelo qual a espermátide redonda passará por uma série de mudanças morfológicas e bioquímicas para se tornar um espermatozóide (Imagem acima).

Imagem Moore e Persaud, 1994 e 2004.

Esse processo todo demora cerca de 74 dias. Após a produção esses espermatozóides são levados ao Epidídimo. Consiste de dois orgãos longos, intensamente enovelado sobre si , que estão aderidos lateralmente a margem posterior dos testículos, sendo responsável pelo armazenamento e por fornecer substâncias para acentuar a fertilidade dos espermatozóides. Desempenhando a função de maturação, criando condições favoráveis para que os espermatozóides, imóveis quando nos túbulos seminíferos, se tornem móveis.

A célula de Sertoli é responsável por muitas funções além de sustentar a linhagem germinativa (espermatogênese), como  a formação de uma barreira hematotesticular impedindo o contato das células germinativas e o sangue, evitando o desenvolvimento de auto-anticorpos contra o epitélio germinativo, já que são as únicas células do corpo que realiza meiose. Essas células são controladas pelo FSH.

Gowdak, D.;Gowdak,L.H.,1989

A célula de Leydig  é responsável pela produção de hormônios sexuais maculinos, principalmente a testosterona, sendo esse hormônio responsável pela devenvolvimento das características masculinas secundárias estimulando folículos pilosos, glândulas sebácias e elaboração do sebo, aumento da massa muscular, ampliam laringe, desenvolve a massa óssea para que seja maior. Essas células são controladas pelo LH.

O Ducto deferente é a prolongação do Epidídimo, tem função de transportar os espermatozóides em direção a uretra, sendo também responsável por reabsorver aqueles espermatozóides que não foram espelidos.

Significados:

FSH- Hôrmonio Folículo Estimulante

LH– Hôrmonio Luteinizante

Ambos hôrmonios são liberados através do GnRH (Hôrmonio Liberador de Gonadotrofínas), e podem ser controlados por proteínas e estimulos aos testículos.

Legislação na Reprodução Humana Assistida

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA

RESOLUÇÃO Nº 1.957, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2010



ANEXO ÚNICO

NORMAS ÉTICAS PARA A UTILIZAÇÃO DAS TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA

I – PRINCÍPIOS GERAIS

1 – As técnicas de reprodução assistida (RA) têm o papel de auxiliar na resolução dos problemas de reprodução humana, facilitando o processo de procriação quando outras terapêuticas tenham se revelado ineficazes ou consideradas inapropriadas.

2 – As técnicas de RA podem ser utilizadas desde que exista probabilidade efetiva de sucesso e não se incorra em risco grave de saúde para a paciente ou o possível descendente.

3 – O consentimento informado será obrigatório a todos os pacientes submetidos às técnicas de reprodução assistida, inclusive aos doadores. Os aspectos médicos envolvendo as circunstâncias da aplicação de uma técnica de RA serão detalhadamente expostos, assim como os resultados obtidos naquela unidade de tratamento com a técnica proposta. As informações devem também atingir dados de caráter biológico, jurídico, ético e econômico. O documento de consentimento informado será expresso em formulário especial e estará completo com a concordância, por escrito, das pessoas submetidas às técnicas de reprodução assistida.

4 – As técnicas de RA não devem ser aplicadas com a intenção de selecionar o sexo (sexagem) ou qualquer outra característica biológica do futuro filho, exceto quando se trate de evitar doenças ligadas ao sexo do filho que venha a nascer.

5 – É proibida a fecundação de oócitos humanos com qualquer outra finalidade que não a procriação humana.

6 – O número máximo de oócitos e embriões a serem transferidos para a receptora não pode ser superior a quatro. Em relação ao número de embriões a serem transferidos, são feitas as seguintes determinações:

a) mulheres com até 35 anos: até dois embriões;

b) mulheres entre 36 e 39 anos: até três embriões;

c) mulheres com 40 anos ou mais: até quatro embriões.

7 – Em caso de gravidez múltipla, decorrente do uso de técnicas de RA, é proibida a utilização de procedimentos que visem à redução embrionária.

II – PACIENTES DAS TÉCNICAS DE RA

1 – Todas as pessoas capazes, que tenham solicitado o procedimento e cuja indicação não se afaste dos limites desta resolução, podem ser receptoras das técnicas de RA desde que os participantes estejam de inteiro acordo e devidamente esclarecidos sobre o mesmo, de acordo com a legislação vigente.

III – REFERENTE ÀS CLÍNICAS, CENTROS OU SERVIÇOS QUE APLICAM TÉCNICAS DE RA

As clínicas, centros ou serviços que aplicam técnicas de RA são responsáveis pelo controle de doenças infectocontagiosas, coleta, manuseio, conservação, distribuição, transferência e descarte de material biológico humano para a paciente de técnicas de RA, devendo apresentar como requisitos mínimos:

1 – um diretor técnico responsável por todos os procedimentos médicos e laboratoriais executados, que será, obrigatoriamente, um médico registrado no Conselho Regional de Medicina de sua jurisdição.

2 – um registro permanente (obtido por meio de informações observadas ou relatadas por fonte competente) das gestações, nascimentos e malformações de fetos ou recém-nascidos, provenientes das diferentes técnicas de RA aplicadas na unidade em apreço, bem como dos procedimentos laboratoriais na manipulação de gametas e embriões.

3 – um registro permanente das provas diagnósticas a que é submetido o material biológico humano que será transferido aos pacientes das técnicas de RA, com a finalidade precípua de evitar a transmissão de doenças.

IV – DOAÇÃO DE GAMETAS OU EMBRIÕES

1 – A doação nunca terá caráter lucrativo ou comercial.

2 – Os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa.

3 – Obrigatoriamente será mantido o sigilo sobre a identidade dos doadores de gametas e embriões, bem como dos receptores. Em situações especiais, as informações sobre doadores, por motivação médica, podem ser fornecidas exclusivamente para médicos, resguardando-se a identidade civil do doador.

4 – As clínicas, centros ou serviços que empregam a doação devem manter, de forma permanente, um registro de dados clínicos de caráter geral, características fenotípicas e uma amostra de material celular dos doadores.

5 – Na região de localização da unidade, o registro dos nascimentos evitará que um(a) doador(a) venha a produzir mais do que uma gestação de criança de sexo diferente numa área de um milhão de habitantes.

6 – A escolha dos doadores é de responsabilidade da unidade. Dentro do possível deverá garantir que o doador tenha a maior semelhança fenotípica e imunológica e a máxima possibilidade de compatibilidade com a receptora.

7 – Não será permitido ao médico responsável pelas clínicas, unidades ou serviços, nem aos integrantes da equipe multidisciplinar que nelas trabalham participar como doador nos programas de RA.

V – CRIOPRESERVAÇÃO DE GAMETAS OU EMBRIÕES

1 – As clínicas, centros ou serviços podem criopreservar espermatozóides, óvulos e embriões.

2 – Do número total de embriões produzidos em laboratório, os excedentes, viáveis, serão criopreservados.

3 – No momento da criopreservação, os cônjuges ou companheiros devem expressar sua vontade, por escrito, quanto ao destino que será dado aos pré-embriões criopreservados em caso de divórcio, doenças graves ou falecimento de um deles ou de ambos, e quando desejam doá-los.

VI – DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DE EMBRIÕES

As técnicas de RA também podem ser utilizadas na preservação e tratamento de doenças genéticas ou hereditárias, quando perfeitamente indicadas e com suficientes garantias de diagnóstico e terapêutica

1 – Toda intervenção sobre embriões “in vitro”, com fins diagnósticos, não poderá ter outra finalidade que não a de avaliar sua viabilidade ou detectar doenças hereditárias, sendo obrigatório o consentimento informado do casal.

2 – Toda intervenção com fins terapêuticos sobre embriões “in vitro” não terá outra finalidade que não a de tratar uma doença ou impedir sua transmissão, com garantias reais de sucesso, sendo obrigatório o consentimento informado do casal.

3 – O tempo máximo de desenvolvimento de embriões “in vitro” será de 14 dias.

VII – SOBRE A GESTAÇÃO DE SUBSTITUIÇÃO (DOAÇÃO TEMPORÁRIA DO ÚTERO)

As clínicas, centros ou serviços de reprodução humana podem usar técnicas de RA para criarem a situação identificada como gestação de substituição, desde que exista um problema médico que impeça ou contra-indique a gestação na doadora genética.

1 – As doadoras temporárias do útero devem pertencer à família da doadora genética, num parentesco até o segundo grau, sendo os demais casos sujeitos à autorização do Conselho Regional de Medicina.

2 – A doação temporária do útero não poderá ter caráter lucrativo ou comercial.

VIII – REPRODUÇÃO ASSISTIDA POST MORTEM

Não constitui ilícito ético a reprodução assistida post mortem desde que haja autorização prévia específica do(a) falecido(a) para o uso do material biológico criopreservado, de acordo com a legislação vigente.